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19.03.2015

"Quando toca a lugares, o PS até muda a Constituição”

O porta-voz do PSD disse ontem que “quando toca a lugares, o Partido Socialista, se for necessário, até muda a Constituição”, referindo-se à proposta do PS de alterar o modelo de designação do governador do Banco de Portugal.

“Há princípios que não podem ser subjugados, nem alterados só porque há uma certa ansiedade dos partidos da oposição”.

O secretário-geral do PS anunciou no sábado que os socialistas vão propor que o próximo governador do Banco de Portugal seja nomeado por decreto do Presidente da República, sob proposta do Governo e com audição obrigatória no parlamento.

O porta-voz do PSD adiantou que, “após poucos meses” de ter havido a oportunidade de todos os partidos apresentarem propostas de revisão constitucional, o PS agora “aparece a correr para apresentar um projeto de revisão constitucional relâmpago no sentido de poder alterar o método de escolha do governador do Banco de Portugal”.

Garantindo que o PSD está disponível para discutir “tudo em Portugal” e conversar “com todos os partidos sobre matérias que são centrais para o futuro do país”, o dirigente salientou que os sociais-democratas não estão disponíveis “para andar a brincar às revisões constitucionais”, matéria que, considera, não é “central na vida dos portugueses”.

“Andar a servir, exclusivamente, pequenos caprichos com propostas de revisão constitucional que a única coisa que visam é encobrir a incapacidade de um partido de ter uma proposta concreta para o país, nós não estamos disponíveis”, frisou.

Marco António Costa desafiou o PS “a apresentar o que pensa sobre a estratégia orçamental, sobre o respeito do pacto orçamental, sobre o futuro relativamente às reformas que o país precisa”, insistindo que o PSD não está disponível para “participar em processos e em episódios de fuga para a frente para encobrir a incapacidade desse partido em apresentar propostas estruturais para o futuro de Portugal”.

O porta-voz do PSD referiu-se ainda às jornadas parlamentares do PS, considerando que a primeira intervenção de abertura “por parte do líder da bancada socialista foi a atacar os deputados do PS que, pelos vistos, desejavam sangue e ele não estava disponível para fazer sangue”.

“Ora, [o PS é] um partido dividido, é um partido perdido, é um partido sem projeto”, declarou, acusando o maior partido da oposição de não oferecer projeto ao país e “também não consegue oferecer esperança”.

Para Marco António Costa, o PS é “um partido ansioso por discutir lugares, mas é um partido sem nenhum tipo de ansiedade para apresentar propostas concretas para o futuro”, pois “inicialmente era no mês de maio, adiou para o mês de junho, esperem que seguramente” se chegará ao verão “sem conhecer essas propostas”, concluiu.

 

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